06/04/2026

Via @portalmigalhas | Aos 39 anos, sem ensino superior concluído, mãe de duas crianças pequenas e trabalhando como diarista para complementar a renda familiar, Renata Rosa decidiu mudar o rumo da própria história. Em cinco meses de preparação intensa – conciliando estudos com faxinas, cuidados com os filhos e um histórico de depressão – foi aprovada em seu primeiro concurso público: escrevente técnico judiciário do TJ/SP.

Conheça a história.

Os caminhos

Antes da aprovação, Renata acumulava experiências em funções administrativas, especialmente nas áreas de saúde e fotografia.

Apesar de ter ingressado na USP em 2009, no curso de Letras, abandonou a graduação após dois anos, em meio a um quadro severo de depressão.

Nos anos seguintes, tentou retomar os estudos em diferentes cursos, sem conseguir se adaptar. “Eu achava que não me encaixava em nada”, relata. A sensação de estagnação foi agravada com o passar do tempo e a ausência de formação superior.

Em 2021, com o nascimento do primeiro filho – seguido pelo segundo, apenas um ano e quatro meses depois -, a situação se tornou ainda mais desafiadora.

Sem rede de apoio consistente e com dificuldades para retornar ao mercado de trabalho, a família enfrentou uma crise financeira. A saúde mental voltou a se deteriorar.

Tentativas de recolocação profissional esbarravam em um obstáculo recorrente: a maternidade.

“Nas entrevistas, quando perguntavam se eu tinha filhos e a idade deles, eu sentia que era ali que tudo travava”, conta.

Diante da necessidade imediata de renda, passou a trabalhar com faxinas, atividade que conciliava com os horários das crianças. O esforço físico e emocional, no entanto, reforçava a sensação de falta de perspectiva.

A escolha pelo concurso

Foi nesse contexto que surgiu a ideia de prestar concurso público – até então, um universo desconhecido para ela.

Ao pesquisar opções, encontrou o concurso para escrevente do TJ/SP, de nível médio.

“Eu nunca tinha lido uma lei na vida”, afirma. Ainda assim, decidiu apostar na nova direção como alternativa mais viável de ascensão profissional em curto prazo.

Sem recursos financeiros para investir em preparação, recorreu à mãe para custear um curso preparatório.

“Eu falei: é a minha última chance de mudar de vida.”

Entre faxinas e videoaulas

A rotina de estudos foi construída a partir das condições disponíveis. Inicialmente, estudava apenas à noite, após colocar os filhos para dormir. Logo percebeu que o ritmo era insuficiente.

A solução foi adaptar o estudo à rotina de trabalho: passou a ouvir aulas de Direito durante as faxinas, utilizando fones de ouvido. 

À noite, revisava conteúdos, fazia exercícios e consultava a legislação. Nos fins de semana, mesmo com os filhos em casa, mantinha o contato com o material, conciliando estudos com as demandas domésticas.

“Era desenho ao fundo, briga, choro… mas eu seguia.”

Entre agosto de 2025, quando o edital foi publicado, e dezembro, data da prova, foram cinco meses de preparação intensiva.

“Eu chegava em casa, às vezes, de chorar de cansaço, em cima da apostila.”

Estratégias

Embora tenha resolvido cerca de 2 mil questões, número inferior ao de muitos candidatos, adotou uma estratégia focada na banca organizadora, a Vunesp.

A repetição de padrões e o estudo atento dos erros foram decisivos.

“Eu não queria só acertar. Queria entender por que acertei ou errei, conferir na lei se meu raciocínio estava certo.”

Também realizava simulados em dias livres, cronometrando o tempo de prova com o celular e analisando cada questão.

Aprovação e novos planos

O resultado veio já na primeira tentativa. Renata foi aprovada dentro de uma posição considerada favorável – na casa dos 100 colocados – em um concurso de cadastro reserva, o que indica boas chances de nomeação.

Enquanto aguarda a convocação, mantém a rotina de trabalho e estudos.

Já iniciou um curso tecnólogo em Serviços Jurídicos e Notariais, com previsão de conclusão em 2027, e planeja, futuramente, cursar Direito.

O objetivo é ampliar as oportunidades, inclusive mirando concursos de nível superior.

“O que parece impedimento pode ser motivo”

Ao refletir sobre a própria trajetória, Renata destaca que o principal ponto de virada foi ressignificar as dificuldades.

“Eu era a pessoa mais improvável para passar. Mas tudo aquilo que parece impedimento – idade, filhos, falta de faculdade – pode ser justamente o motivo para mudar de vida.”

Para ela, a aprovação não elimina as dificuldades enfrentadas, mas inaugura uma nova perspectiva: a de que, mesmo em cenários adversos, é possível construir alternativas concretas de transformação.

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