01/04/2026

Via @portalmigalhas | O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, determinou o arquivamento de representação que pedia a apuração disciplinar do ministro Dias Toffoli, em razão de suspeitas envolvendo supostos vínculos entre familiares do magistrado e o Tayayá Resort, no Paraná.

Segundo Campbell, o CNJ não possui atribuição constitucional para investigar condutas de integrantes da Suprema Corte.

O pedido foi apresentado pelo deputado federal Ubiratan Sanderson, que citou reportagens sobre a presença de Toffoli no empreendimento e eventuais negociações societárias indiretas relacionadas ao resort.

Para o parlamentar, haveria indícios de possível violação à Loman – lei orgânica da magistratura nacional.

Segundo noticiado pelo “O Globo”, o analisar a solicitação, o corregedor determinou o arquivamento imediato, apontando vício de origem.

Destacou que a jurisprudência consolidada reconhece que o CNJ não exerce controle disciplinar, ético ou administrativo sobre ministros do STF, uma vez que o art. 103-B da CF exclui expressamente o Supremo da esfera de fiscalização do órgão.

Dessa forma, concluiu não haver possibilidade jurídica de instauração de procedimento, independentemente do conteúdo das acusações apresentadas.

O pedido tramita sob sigilo.

Além da iniciativa no CNJ, Sanderson também encaminhou representação semelhante à PGR.

Toffoli, Vorcaro e o resort

A menção conjunta aos nomes de Daniel Vorcaro, Dias Toffoli e do Tayayá Resort surgiu a partir de reportagens que levantaram questionamentos sobre eventuais conexões indiretas envolvendo o empreendimento, familiares do ministro e pessoas do entorno empresarial do Banco Master, investigado em inquérito relatado por Toffoli no STF.

Segundo essas publicações, o Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro/PR, já teve vínculos societários com irmãos do ministro, conforme registros empresariais consultados pela imprensa.

Também foi divulgado que o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro – CEO e controlador do Banco Master – teria realizado investimento de alto valor no empreendimento, por meio de um fundo imobiliário.

Além disso, reportagens indicam que a transação recente envolvendo o resort teria sido estruturada com participação de fundos administrados pela financeira Reag, instituição mencionada em investigações paralelas, como a operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro.

A Reag também aparece em relatórios do Banco Central que analisam operações financeiras sob suspeita relacionadas ao Banco Master.

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