{"id":6283,"date":"2026-06-16T11:20:05","date_gmt":"2026-06-16T14:20:05","guid":{"rendered":"https:\/\/upconsultas.com.br\/blog\/china-seguira-dominante-nas-exportacoes-do-agronegocio-brasileiro\/"},"modified":"2026-06-16T11:20:05","modified_gmt":"2026-06-16T14:20:05","slug":"china-seguira-dominante-nas-exportacoes-do-agronegocio-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/upconsultas.com.br\/blog\/china-seguira-dominante-nas-exportacoes-do-agronegocio-brasileiro\/","title":{"rendered":"China seguir\u00e1 dominante nas exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<br \/>\n\t\t<\/a>\n\t<\/div>\n<p>\n\t\t\t<span>Desde que iniciou essa mudan\u00e7a de rota, para desenvolver via mercado dom\u00e9stico, a China ampliou as suas exporta\u00e7\u00f5es, vendendo para o mundo US$ 3,8 trilh\u00f5es em 2025, o que lhe proporcionou um super\u00e1vit recorde de US$ 1,2 trilh\u00e3o<\/span>\n\t\t<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div data-type=\"text\" style=\"font-family: Arial;\">\n<p><span>Como se dizia antigamente, &#8220;parece que foi ontem&#8221; que a China ultrapassou grandes importadores de produtos agropecu\u00e1rios do Brasil e atingiu a condi\u00e7\u00e3o de maior comprador do setor em 2008. Em 2025, a China comprou US$ 55,3 bilh\u00f5es, equivalentes a 32,7% do total de US$ 169,2 bilh\u00f5es exportados pelo agro brasileiro \u2013 18 vezes os US$ 3 bilh\u00f5es que a \u00cdndia comprou do setor em 2025. Ali\u00e1s, apenas a \u00cdndia importa pouco do agroneg\u00f3cio brasileiro: em 2025, seus vizinhos Paquist\u00e3o, com &#8220;apenas&#8221; 258 milh\u00f5es de habitantes, comprou US$ 1,5 bilh\u00e3o, e Bangladesh (177 milh\u00f5es de habitantes), expressivos US$ 2,6 bilh\u00f5es, segundo dados do com\u00e9rcio exterior divulgados pelo governo brasileiro. A boa not\u00edcia, no caso do mercado indiano (cuja popula\u00e7\u00e3o, de 1,4 bilh\u00e3o de habitantes, \u00e9 maior do que a chinesa desde 2023), \u00e9 que a ApexBrasil, ag\u00eancia brasileira de promo\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00f5es e investimentos, inaugurou escrit\u00f3rio em Nova D\u00e9lhi, capital do pa\u00eds, no dia 20 de fevereiro.<\/span><\/p>\n<p>Traduzindo: nos pr\u00f3ximos cinco anos pelo menos dever\u00e1 continuar o dom\u00ednio absoluto da China nas exporta\u00e7\u00f5es do agro brasileiro. O que isso tem de bom e ruim n\u00f3s j\u00e1 sabemos. O que ainda n\u00e3o se sabe \u00e9 como as muitas mudan\u00e7as \u2013 de car\u00e1ter estrutural \u2013, promovidas pela China nos \u00faltimos 15 anos, impactar\u00e3o as exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio, no curto e m\u00e9dio prazos. Mudan\u00e7as iniciadas com o 12\u00ba Plano Quinquenal (2011-2015), no qual houve altera\u00e7\u00e3o radical da estrat\u00e9gia de desenvolvimento econ\u00f4mico, com a decis\u00e3o de continuar crescendo via consumo dom\u00e9stico, e n\u00e3o mais via exporta\u00e7\u00f5es. E a &#8220;Iniciativa Cintur\u00e3o e Rota&#8221; (a &#8220;Rota da Seda S\u00e9culo 21&#8221;), que se prop\u00f5e a efetivar conectividade mundial, a partir da China, percorrendo mais de 10 mil quil\u00f4metros em ferrovias, desde cidades como Yiwu, na prov\u00edncia de Zhejiang, at\u00e9 capitais europeias, o que implica em fazer escalas em pa\u00edses da \u00c1sia Central, com cargas de milh\u00f5es de toneladas, em milhares de viagens de trem China-Europa-China, e integra\u00e7\u00e3o mar\u00edtima com o mundo inteiro. <\/p>\n<p>Desde que iniciou essa mudan\u00e7a de rota, para desenvolver via mercado dom\u00e9stico, a China ampliou as suas exporta\u00e7\u00f5es, vendendo para o mundo US$ 3,8 trilh\u00f5es em 2025, o que lhe proporcionou um super\u00e1vit recorde de US$ 1,2 trilh\u00e3o, porque as suas importa\u00e7\u00f5es (US$ 2,6 trilh\u00f5es) n\u00e3o cresceram no mesmo ritmo. Esse descompasso entre as exporta\u00e7\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es, tanto tempo depois da decis\u00e3o de crescer via mercado interno, prova que o esfor\u00e7o governamental para importar mais do mundo esbarra na dificuldade da China em comprar. A estrutura de custos \u00e9 diferente e a escala sempre maior, o que torna os pre\u00e7os dos produtos dos demais pa\u00edses sempre superiores aos seus. Como ter pre\u00e7os inferiores aos da China, se nossas mercadorias s\u00e3o transportadas em caminh\u00f5es e pagamos juros reais sete vezes maiores?<\/p>\n<p>Para estimular a oferta mundial de produtos, o governo central criou, h\u00e1 oito anos, a Feira de Importa\u00e7\u00e3o da China, realizada de 5 a 10 de novembro, em Shanghai. Al\u00e9m dessa, espec\u00edfica para vender para o mercado chin\u00eas, h\u00e1 espa\u00e7os para empresas estrangeiras em outras feiras, como o Sal\u00e3o Internacional de Alimenta\u00e7\u00e3o (SIAL), que ocorrer\u00e1 de 18 a 20 de maio, tamb\u00e9m em Shanghai \u2013 na qual muitas empresas brasileiras t\u00eam participado ativamente, no pavilh\u00e3o da ApexBrasil. <\/p>\n<p><b data-redactor-tag=\"b\">Demandas e demandas<\/b><br \/>Priorizar o mercado interno significa &#8220;estimular o consumo dom\u00e9stico&#8221;, algo que na China equivale a atender a demanda de sete Brasis O detalhe \u00e9 que, l\u00e1 como c\u00e1, al\u00e9m das enormes demandas aparentes, h\u00e1 muito maiores e &#8220;n&#8221; demandas reprimidas. A somat\u00f3ria das duas s\u00e3o grandezas muito dif\u00edceis de atender \u2013 principalmente as de alimentos. Isso porque a China promoveu, a partir de 1980, intensa migra\u00e7\u00e3o das \u00e1reas rurais para as urbanas, com mais de 500 milh\u00f5es de pessoas passando a viver em cidades. Essa mudan\u00e7a populacional resultou em ocupa\u00e7\u00e3o crescente de \u00e1reas at\u00e9 ent\u00e3o utilizadas para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, e na mudan\u00e7a de condi\u00e7\u00e3o, de produtores, para a de somente consumidores de alimentos. Ao mesmo tempo, com o progressivo aumento do poder aquisitivo da popula\u00e7\u00e3o chinesa, aumentou a quantidade consumida per capita e ocorreu mudan\u00e7a qualitativa do padr\u00e3o alimentar, com mais prote\u00ednas animais e vegetais, frutas e l\u00e1cteos, e menos cereais, tub\u00e9rculos etc. <\/p>\n<p>Apesar do esvaziamento populacional do campo, a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os na China aumentou, de 320 milh\u00f5es de toneladas para 715 milh\u00f5es de toneladas (cerca de 20% do total mundial), no per\u00edodo 1980-2025. Nesse mesmo intervalo de tempo, a popula\u00e7\u00e3o chinesa passou de 1 bilh\u00e3o de habitantes para 1,4 bilh\u00e3o. E o consumo de fertilizantes, de 20 gramas por quilo de gr\u00e3os, da d\u00e9cada de 1970, foi para 110 gramas por quilo de gr\u00e3os nos anos 2000, tornando a China maior consumidor desses produtos, com quase 30% do total mundial.<\/p>\n<p>Os elevados consumos de fertilizantes, agrot\u00f3xicos e diesel \u2013 para tratores e colheitadeiras \u2013, s\u00e3o motivos de preocupa\u00e7\u00e3o por causa da polui\u00e7\u00e3o e custos. A vantagem chinesa decisiva, em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, \u00e9 o transporte ferrovi\u00e1rio, movido a eletricidade, que escoa as safras e leva insumos para todos os interiores do pa\u00eds a custos muit\u00edssimo inferiores aos dos caminh\u00f5es movidos a diesel que derrubam a competitividade &#8220;da porteira pra fora&#8221; do agro brasileiro. Na sequ\u00eancia das mudan\u00e7as, a efetiva\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s 15 anos, da participa\u00e7\u00e3o plena na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), em dezembro de 2016, condi\u00e7\u00e3o que favoreceu a expans\u00e3o das suas exporta\u00e7\u00f5es e o ac\u00famulo de super\u00e1vits comerciais \u2013 principalmente com os Estados Unidos \u2013 elevando as reservas cambiais do pa\u00eds acima do patamar de US$ 4 trilh\u00f5es, o que lhe possibilitou emprestar ao Tesouro dos EUA mais de US$ 1 trilh\u00e3o, tornando-se um dos tr\u00eas maiores credores da at\u00e9 ent\u00e3o maior economia mundial \u2013 superado pela China em 2016, segundo o crit\u00e9rio da paridade do poder de compra.<\/p>\n<p>Foi em 2016 tamb\u00e9m que a quest\u00e3o alimentar acendeu a luz laranja, quando se perguntaram, no final de um evento para debater a agricultura, &#8220;quem vai produzir comida&#8221;, j\u00e1 que a \u00e1rea rural seguia esvaziando e envelhecendo, e pobre e atrasada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cidades. Lan\u00e7aram, ent\u00e3o, em 2018 o plano de vitaliza\u00e7\u00e3o rural, para reduzir a pobreza nos interiores, modernizar a agricultura e possibilitar assim as t\u00e3o sonhadas e decisivas seguran\u00e7a e soberania alimentares.<\/p>\n<p>Dada a import\u00e2ncia do Brasil enquanto fornecedor de recursos naturais, e a necessidade de manter baixos os pre\u00e7os dos produtos agropecu\u00e1rios e minerais, est\u00e3o estudando participar na constru\u00e7\u00e3o de ferrovias ligando as regi\u00f5es produtoras brasileiras ao porto de Chancay, no Peru, inaugurado no final de 2024, constru\u00eddo e operado pela Cosco, megaempresa chinesa de navega\u00e7\u00e3o. Quando isso acontecer, talvez daqui a cinco anos, haver\u00e1 redu\u00e7\u00e3o substancial dos custos de insumos industriais para o agroneg\u00f3cio e dos custos de transporte de produtos das fazendas e frigor\u00edficos para os navios, o que possibilitar\u00e1 \u00e0 China continuar pagando pre\u00e7os baixos pelos produtos prim\u00e1rios que compra em grande quantidade.<\/p>\n<\/div>\n<div data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/amanha.com.br\/images\/p\/21748\/b2ap3_large_Fertilizante-em-porto.jpg\"\/><br \/>\n\t\t<\/a>\n\t<\/div>\n<p>\n\t\t\t<span>O maior exportador do mundo de v\u00e1rios produtos agropecu\u00e1rios depende mais de 80% de fornecimento externo de fertilizantes<\/span>\n\t\t<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div data-type=\"text\" style=\"\">\n<p><span>Confirmadas as previs\u00f5es de grande redu\u00e7\u00e3o populacional e de aumento da parcela idosa, com a diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos quatro anos, resta saber agora os impactos quantitativos e qualitativos dessas mudan\u00e7as no mercado consumidor. Parece que est\u00e1 longe de acontecer, e \u00e9 estranho imaginar a China com 400 milh\u00f5es de habitantes a menos, porque se trata de 30% de encolhimento do mercado consumidor atual \u2013 o equivalente a dois Brasis a menos, em 50 anos.<\/span><\/p>\n<p>Diminuir\u00e1 a demanda alimentar, e ela ser\u00e1 alterada, pelo aumento da quantidade de pessoas idosas. Dadas as quantidades de pessoas nas diferentes faixas et\u00e1rias de 60 anos de idade ou mais, os mercados de consumidores da terceira e quarta idade na China ser\u00e3o nichos gigantes, com um total de 400 milh\u00f5es de pessoas, concentradas talvez em 200 grandes cidades. S\u00e3o muitas mudan\u00e7as ao mesmo tempo, e elas j\u00e1 est\u00e3o acontecendo: menos gente, mais pessoas idosas e mais pessoas vivendo s\u00f3 em todas as faixas et\u00e1rias.<\/p>\n<p><b data-redactor-tag=\"b\">Seguran\u00e7a e soberania<\/b><br \/>O teste da seguran\u00e7a alimentar da qualidade ocorreu em 2008, com a trag\u00e9dia e esc\u00e2ndalo do leite de vaca contaminado com melamina. Houve mais de 300 mil crian\u00e7as contaminadas. Lembro-me das prateleiras vazias onde ficavam os l\u00e1cteos chineses nos supermercados, justo no auge da campanha do governo de est\u00edmulo ao consumo e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de leite de vaca. Foi uma fraude de grandes propor\u00e7\u00f5es, realizada para lucrar mais. O preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade das crian\u00e7as n\u00e3o foi superado com a puni\u00e7\u00e3o dos criminosos, mas o epis\u00f3dio ajudou a endurecer a fiscaliza\u00e7\u00e3o de alimentos da pr\u00f3pria China e, principalmente, daqueles importados. Depender do mercado internacional de alimentos \u00e9 um risco que a China n\u00e3o quer continuar a ter. Reza a lenda que o pa\u00eds mantinha, nos anos 1970-1990, um estoque de passagem de 150 milh\u00f5es de toneladas a 180 milh\u00f5es de toneladas, grande o suficiente para suportar quebras de safra resultantes de desastres naturais, t\u00e3o comuns em toda a \u00c1sia, como inunda\u00e7\u00f5es, secas, pragas, calor ou frio excessivos. N\u00e3o se sabe quanto h\u00e1 hoje estocado, para garantir seguran\u00e7a alimentar e ajudar a evitar infla\u00e7\u00e3o. Talvez 20% a 30% da safra de gr\u00e3os (ou seja, 140 milh\u00f5es de toneladas a 210 milh\u00f5es de toneladas), porque podem precisar e n\u00e3o haver dispon\u00edvel a quantidade necess\u00e1ria no mercado mundial.<\/p>\n<p>Infelizmente, a conta n\u00e3o bate, da \u00e1rea agricult\u00e1vel e da produ\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, por maiores que sejam as produtividades alcan\u00e7adas. Em 2025, colheram 301 milh\u00f5es de toneladas de milho, 209 milh\u00f5es de arroz e 140 milh\u00f5es de trigo. Mas a soja n\u00e3o saiu do patamar de 21 milh\u00f5es de toneladas, o que obrigou o pa\u00eds a importar 112 milh\u00f5es de toneladas \u2013 ou seja, se depender da soja, a t\u00e3o almejada soberania alimentar ficar\u00e1 para as calendas. Ou n\u00e3o, porque est\u00e3o produzindo substitutos proteicos para ra\u00e7\u00f5es animais, e para passar dos atuais 8% para 80% do total consumido, \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo. O epis\u00f3dio das cotas para carne bovina, determinada a partir deste ano, \u00e9 um bom exemplo do quanto a China est\u00e1 disposta a atingir a autossufici\u00eancia alimentar. Vinho, caf\u00e9 e laranja s\u00e3o tamb\u00e9m s\u00f3 quest\u00e3o de tempo. Continuar\u00e3o investindo em novas tecnologias de produ\u00e7\u00e3o com esse objetivo, inclusive recuperando \u00e1reas degradadas nas regi\u00f5es aut\u00f4nomas da Mong\u00f3lia Interior e Xinjiang, nas quais conseguiram sucesso nos desertos de Kubuqi, Tengger, Mu Us e Taklimakan.<\/p>\n<p>\u00c9 inacredit\u00e1vel, mas \u00e9 verdade: o pa\u00eds maior exportador do mundo de v\u00e1rios produtos agropecu\u00e1rios depende mais de 80% de fornecimento externo de fertilizantes. Antes da exporta\u00e7\u00e3o de soja para a China disparar, em 1999, o consumo de fertilizantes no Brasil era de 13,7 milh\u00f5es de toneladas. Em 2025, foram 49 milh\u00f5es de toneladas. E isso porque a soja consome pouco nitrog\u00eanio, gra\u00e7as \u00e0 pr\u00e1tica da fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio, que economiza muitos bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Pesquisas do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil confirmam haver muito pot\u00e1ssio no Amazonas e fosfato, em jazidas \u00edgneas e sedimentares, em Minas Gerais, no Tocantins, no Par\u00e1, em Goi\u00e1s, em S\u00e3o Paulo e no Rio Grande do Sul. Consta que haveria satura\u00e7\u00e3o de fosfato nos solos agr\u00edcolas. Al\u00e9m do mais, uma planta industrial para produ\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio leva cinco anos para ser constru\u00edda e precisa de g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>O agro paranaense vendeu US$ 5,3 bilh\u00f5es para a China em 2025 (22,5% do total exportado pelo setor) e comprou de l\u00e1 US$ 4,3 bilh\u00f5es de produtos industriais, sendo US$ 3 bilh\u00f5es de fertilizantes e US$ 1,3 bilh\u00e3o de herbicidas e outros agrot\u00f3xicos. Evidentemente, essa l\u00f3gica n\u00e3o se sustenta. A China restringiu a exporta\u00e7\u00e3o de fosfatados, mas liberou de sulfato de am\u00f4nio, porque \u00e9 sint\u00e9tico e ela produz muito. E assim ultrapassou outros fornecedores, tornando-se a maior para o Brasil. No caso do Paran\u00e1, por exemplo, no ano passado, as associadas da Coonagro adquiriram 468 mil toneladas, das quais 45% da China.<\/p>\n<p><b data-redactor-tag=\"b\">Estamos crescendo, mas&#8230;<\/b><br \/>O esfor\u00e7o conjunto dos adidos agr\u00edcolas das embaixadas brasileiras, da ApexBrasil, da secretaria de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Minist\u00e9rio da Agricultura, das associa\u00e7\u00f5es empresariais e de grandes empresas, nos \u00faltimos anos, resultou em abertura de centenas de novos mercados para produtos agropecu\u00e1rios do Brasil em pa\u00edses asi\u00e1ticos e de outros continentes, como tamb\u00e9m um aumento das vendas para tradicionais com potencial para muito mais, como o Jap\u00e3o.Um exemplo animador \u00e9 o do gergelim: ap\u00f3s a abertura do mercado chin\u00eas, em novembro de 2024, as exporta\u00e7\u00f5es no ano seguinte alcan\u00e7aram US$ 195,1 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A partir de 2026, as mudan\u00e7as incluem a substitui\u00e7\u00e3o gradativa do d\u00f3lar pelo yuan, nas transa\u00e7\u00f5es comerciais e financeiras, e a implementa\u00e7\u00e3o das diretrizes do 15\u00ba Plano Quinquenal (2026-2030), focado na moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Pode-se imaginar que n\u00e3o \u00e9 pouca coisa o que pretendem conseguir em t\u00e3o pouco tempo, para o pa\u00eds atingir a meta, em 2035, de alcan\u00e7ar um &#8220;n\u00edvel b\u00e1sico de moderniza\u00e7\u00e3o socialista&#8221; e, em 2050, da conquista de &#8220;um pa\u00eds desenvolvido em todas as \u00e1reas&#8221;. Esse 15\u00ba Plano fecha o ciclo de implementa\u00e7\u00e3o da &#8220;sociedade moderadamente pr\u00f3spera&#8221; alcan\u00e7ado em 2020, com o fim da pobreza extrema. Dito assim, parecem simples as metas da China para os pr\u00f3ximos dez anos. Quando se traduz em n\u00fameros o que pretendem conseguir, fica dif\u00edcil de se acreditar ser poss\u00edvel chegarem l\u00e1, porque os desafios para o desenvolvimento chin\u00eas aumentaram, tais as vulnerabilidades naturais com as quais a popula\u00e7\u00e3o convive: escassez de \u00e1gua, redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea agricult\u00e1vel, avan\u00e7o da desertifica\u00e7\u00e3o e polui\u00e7\u00e3o. Mais a diminui\u00e7\u00e3o dos nascimentos e o aumento das mortes e da popula\u00e7\u00e3o idosa. A expectativa m\u00e9dia de vida at\u00e9 2050, para as mulheres, dever\u00e1 superar os 90 anos de idade.<\/p>\n<p>O estudo <i data-redactor-tag=\"i\">Projections of future life expectancy in China up to 2035: a modelling study<\/i>, publicado na revista The Lancet, em 30 de mar\u00e7o de 2023, prev\u00ea que a expectativa de vida ao nascer, em 2035, ser\u00e1 de 81 anos, com mais de 80% de probabilidade das mulheres em Beijing atingirem 90 anos de idade. Nas prov\u00edncias de Guangdong e Zhejiang e na municipalidade de Shanghai, a expectativa \u00e9 de 50% de probabilidade de ultrapassarem 90 anos. E em Shanghai ser\u00e1 onde os homens ter\u00e3o a maior expectativa de vida ao nascer em 2035, com 77% de probabilidade de viverem mais de 83 anos.<\/p>\n<p>Como as cooperativas e empresas produtoras e exportadoras de min\u00e9rios, madeira, celulose, gr\u00e3os, carnes, frutas, erva-mate, cacau, azeite de oliva, caju\u00edna, suco de laranja, cacha\u00e7a, caf\u00e9 e outros produtos, est\u00e3o se preparando para as previs\u00edveis altera\u00e7\u00f5es das importa\u00e7\u00f5es chinesas? Vamos nos antecipar \u00e0s mudan\u00e7as na China para avan\u00e7ar qualitativamente na rela\u00e7\u00e3o comercial, com a exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios com valor agregado? \u00c9 verdade que a realidade brasileira, de custo financeiro estratosf\u00e9rico e matriz de transportes anacr\u00f4nica, segue na contram\u00e3o da l\u00f3gica chinesa, mas o exemplo da Cofco, em Rondon\u00f3polis (MT), bem que poderia animar o empresariado de outras regi\u00f5es. A empresa investiu em um terminal no porto de Santos no ano passado e est\u00e1 aportando recursos atualmente na amplia\u00e7\u00e3o da capacidade de esmagamento de soja, para passar das atuais 4,5 mil toneladas\/dia para 10 mil toneladas\/dia, para produzir farelo, \u00f3leo e biocombust\u00edvel.<\/p>\n<p>Com ind\u00fastrias qu\u00edmicas nos interiores do Brasil, podemos nos livrar da sina de exportadores de produtos prim\u00e1rios in natura (no caso da soja, h\u00e1 mais de 50 anos), utilizando conhecimentos dispon\u00edveis h\u00e1 bastante tempo, e reverter o processo de esvaziamento populacional dos interiores, com a atra\u00e7\u00e3o de jovens com forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e universit\u00e1ria para trabalhar nessas ind\u00fastrias, localizadas nas regi\u00f5es produtoras, com economia substancial de transporte de mat\u00e9ria-prima. O agr\u00f4nomo D\u00e9cio Luiz Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja, um dos fundadores do Comit\u00ea Estrat\u00e9gico Soja Brasil e membro do Conselho Cient\u00edfico Agro Sustent\u00e1vel, defendia, no artigo &#8220;A fascinante profus\u00e3o de usos da soja&#8221; um maior aproveitamento da soja, como substituta do petr\u00f3leo, &#8220;em especial no conceito de qu\u00edmica verde&#8221;.<\/p>\n<p>Para ele, pesquisador da Embrapa desde 1974, &#8220;a diversidade de produtos \u00e9 impressionante, e n\u00e3o para de crescer. Borrachas, fibras, pl\u00e1sticos, revestimentos, solventes, biodiesel, lubrificantes, adesivos e milhares de produtos de consumo utilizam a soja como ingrediente.&#8221; &#8220;(&#8230;) s\u00e3o necess\u00e1rios processos como epoxida\u00e7\u00e3o, alco\u00f3lise, transesterifica\u00e7\u00e3o, acidula\u00e7\u00e3o, esterifica\u00e7\u00e3o direta, met\u00e1tese, isomeriza\u00e7\u00e3o, modifica\u00e7\u00e3o de mon\u00f4meros e polimeriza\u00e7\u00e3o. Assim s\u00e3o obtidos seis insumos industriais b\u00e1sicos: a) triglicer\u00eddeos; b) \u00e9steres de \u00e1cidos graxos; c) ep\u00f3xidos de \u00f3leo de soja; d) ep\u00f3xidos de \u00e9steres de \u00e1cidos graxos; e) glicerina; e f) amino\u00e1cidos. A partir do \u00f3leo de soja podem ser outros insumos como resinas, l\u00e1tex modificado, diluentes reativos, aditivos funcionais, di\u00e1cidos, di\u00f3is e dispers\u00f5es de poliuretano&#8221;, detalha Gazzoni.<\/p>\n<p><span>Teremos outra safra recorde em 2026, com poss\u00edveis 180 milh\u00f5es de toneladas de soja. Comemoramos o recorde da venda in natura de 108,2 milh\u00f5es de toneladas dessa mat\u00e9ria-prima fant\u00e1stica tamb\u00e9m no ano passado, com receita de US$ 43,5 bilh\u00f5es, e continuamos dependendo da importa\u00e7\u00e3o de fertilizantes da China e de outros pa\u00edses distantes. Sempre me perguntam, no curso a respeito da China, &#8220;como&#8221; ela fez e continua fazendo para se desenvolver tanto. Pois bem, tr\u00eas das principais decis\u00f5es estrat\u00e9gicas da China que explicam seu sucesso foram justamente construir ind\u00fastrias no interior, ligar todas as cidades de todas as prov\u00edncias e regi\u00f5es por meio de ferrovias e colocar o sistema financeiro a servi\u00e7o do desenvolvimento do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span>       Este conte\u00fado \u00e9 parte integrante da edi\u00e7\u00e3o 352 de AMANH\u00c3 (clique aqui para acessar a vers\u00e3o digital da revista, mediante pequeno cadastro). <br \/><\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><script>\n!function(f,b,e,v,n,t,s)\n{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?\nn.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};\nif(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version='2.0';\nn.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;\nt.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];\ns.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,'script',\n'\nfbq('init', '1119915896000160');\nfbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br 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