06/07/2026

Corrente de comércio alcançou o recorde de US$ 62,8 bilhões

Com a ajuda do petróleo, da soja, da carne e do ferro, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,8 bilhões em junho, resultado 66,6% superior ao do mesmo mês de 2025. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento das exportações, que avançaram quase 25% no período, segundo dados divulgados na sexta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A corrente de comércio — soma de exportações e importações — alcançou US$ 62,8 bilhões, o maior valor já registrado para um mês na série histórica.

Diante do desempenho do comércio exterior no primeiro semestre, o Mdic revisou para cima sua projeção para 2026. A estimativa de superávit da balança comercial passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. As estimativas estão mais otimistas que a das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, os analistas de mercado projetam superávit comercial de US$ 76,2 bilhões para este ano.

Principais números
Superávit: US$ 9,8 bilhões (+66,6% ante junho de 2025)
• Exportações: US$ 36,3 bilhões (+24,9%)
• Importações: US$ 26,5 bilhões (+14,4%)
• Corrente de comércio: US$ 62,8 bilhões (+20,3%)

Exportações por setor:
• Indústria extrativa: US$ 9,9 bilhões (+58,4% ante junho de 2025)
• Indústria de transformação: US$ 18 bilhões (+14,7%)
• Agropecuária: US$ 8,1 bilhões (+18%)

Produtos em destaque:
• Indústria extrativa: petróleo bruto (+78,9% ante junho do ano passado), minério de ferro (+20%)
• Indústria de transformação: combustíveis (+88,8%), carnes de aves (+62,4%) e carne bovina (+39,2%)
• Agropecuária: soja (+17,3%), animais vivos (+208,8%), algodão bruto (+64,1%)

EUA e UE crescem, mas China mantém liderança
O valor das exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceu 3,7% em junho de 2026, marcando a primeira alta desde julho de 2025, quando o governo do presidente Donald Trump impôs uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério, Herlon Brandão, o avanço foi impulsionado pelo aumento médio de 11% dos preços dos produtos exportados, já que o volume embarcado para o mercado norte-americano ainda caiu 6,6%. 

Em junho, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos apresentou equilíbrio, com leve superávit brasileiro (US$ 1 milhão). Apesar da recuperação em junho, o acumulado do primeiro semestre ainda registra queda nas vendas brasileiras para os Estados Unidos, com déficit de US$ 1,2 bilhão.

A China manteve a posição de principal parceiro comercial do Brasil e registrou forte crescimento nas compras de produtos brasileiros, o que resultou em um superávit de US$ 4,5 bilhões em junho, e de US$ 19,7 bilhões no primeiro semestre. O comércio com a União Europeia também apresentou expansão em junho (US$ 180 milhões), embora o governo ainda considere prematuro medir os impactos do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu, que entrou em vigor provisoriamente em maio. Segundo Brandão, já existem relatos de empresas que aproveitam os benefícios do acordo, mas ainda não há dados suficientes para medir seu impacto sobre o comércio exterior.

Com ABR



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