As federações industrias de Santa Catarina (Fiesc) e do Rio Grande do Sul (Fiergs) temem que a decisão anunciada nesta quarta-feira (15) pelo governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros traga impactos negativos, especialmente sobre a competitividade. A federação paranaense (Fiep) deve se pronunciar posteriormente, após analisar os detalhes do teor da decisão.
Para a Fiergs, a medida amplia as barreiras ao comércio bilateral e traz novos desafios para a indústria gaúcha, especialmente para segmentos com forte presença nas exportações ao mercado norte-americano, como armas e munições, madeira, calçados e tabaco. Para o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, o anúncio compromete a competitividade das empresas, reduz a previsibilidade dos negócios e pode gerar impactos sobre investimentos, emprego e renda no Rio Grande do Sul. “É um retrocesso nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e impõe mais um desafio à indústria brasileira e gaúcha. É fundamental que o governo brasileiro mantenha as negociações com as autoridades norte-americanas para buscar a reversão dessa medida e ampliar a lista de produtos contemplados por exceções”, avalia, por meio de nota.
Em caso de manutenção das medidas, Bier defende a implantação de medidas compensatórias. “Ao mesmo tempo, é necessário preparar políticas públicas de apoio aos setores mais afetados, nos moldes das iniciativas adotadas no ano passado, com linhas especiais de financiamento e iniciativas para auxiliar as empresas impactadas. O momento exige uma atuação coordenada, técnica e diplomática para preservar a capacidade competitiva da indústria brasileira e minimizar os efeitos sobre a economia e o emprego”, ressalta.
Estudo da Fiesc revela que o novo regime aduaneiro imposto pelos Estados Unidos desenha um cenário desafiador para o estado, com estimativas de impacto relevante sobre as indústrias exportadoras. “O impacto projetado para esta nova fase tarifária é similar aos danos que já experimentamos no primeiro tarifaço. A análise mostra que a economia catarinense já deixou de gerar cerca de 7,6 mil empregos formais apenas no primeiro ciclo de tarifas. A expectativa é de que esta segunda leva tenha efeitos muito parecidos, com prejuízo à economia do estado”, afirma o presidente da entidade, Gilberto Seleme, também por meio de nota.
A nova estrutura tarifária imposta pelo governo norte-americano altera as alíquotas para uma tarifa nominal máxima que passará de 50% (no primeiro tarifaço) para 37,5% no regime proposto para julho. No entanto, o estudo da federação industrial catarinense demonstra que a tarifa efetiva passará de 47,8% no estado no primeiro tarifaço, para 35,9%. “Esta aparente redução de alíquotas nominais esconde um cenário adverso: os principais concorrentes internacionais do Brasil passarão a ser beneficiados com tarifas mais baixas. Com isso, a vantagem competitiva dos produtos catarinenses no mercado norte-americano segue prejudicada”, avalia o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt.
Para a Fiesc, o impacto das novas alíquotas norte-americanas penaliza o estado de Santa Catarina com intensidade maior do que a média registrada pelo restante do país. A assimetria reflete a alta concentração de produtos manufaturados na pauta catarinense, que possuem alta exposição às novas sobretaxas. Enquanto a parcela das exportações brasileiras afetadas pelas tarifas recua de cerca de 33% para 25%, em Santa Catarina ela se mantém praticamente estagnada em elevadíssimos 56%. Esta disparidade evidencia que a perda de competitividade estadual frente ao mercado global será muito mais profunda e exigirá resiliência extrema dos nossos setores industriais.
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