16/07/2026

América Latina se consolida como maior bloco comprador do setor

Desde o primeiro tarifaço do governo dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, em 2025, a indústria moveleira brasileira está redesenhando o mapa de suas exportações. De acordo com levantamento divulgado pela Movelsul Brasil, os Estados Unidos seguem como principal destino do setor no país, mas viram sua participação cair de 28,3% em 2024 para 16,5% no acumulado de 2026, quase a metade em dois anos. 

No mesmo período, a América Latina, liderada por Uruguai, Argentina, Chile, Peru e Paraguai, avançou de 53,1% para 64,5% das exportações nacionais de móveis. Somados, Uruguai e Argentina — segundo e terceiro colocados no ranking nacional — já compram mais móveis brasileiros do que os Estados Unidos sozinhos: US$ 74,4 milhões ante US$ 54,3 milhões entre janeiro e maio de 2026. O movimento é ainda mais avançado no Rio Grande do Sul, maior polo moveleiro do país: os Estados Unidos já caíram da liderança para a sexta posição entre os destinos do estado, um retrato do que pode se tornar tendência para o restante do Brasil.

Participação nas exportações 2024 2025 2026
Estados Unidos
(1° no ranking em todos os anos)
28,3% 22,4%% 16,5%
América Latina 53,1% 58,4% 64,5%

A mudança reflete uma combinação de fatores. De um lado, o aumento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos reduziu a competitividade das exportações para aquele mercado. De outro, as indústrias brasileiras aceleraram sua presença em países latino-americanos, favorecidas pela proximidade geográfica, logística mais eficiente e perspectivas de ampliação dos acordos comerciais internacionais, como o Mercosul-União Europeia.

O comportamento do Rio Grande do Sul, maior polo exportador de móveis do país, funciona como um retrato adiantado do que pode se tornar tendência nacional. No estado, a América Latina já responde por 82,5% das exportações no acumulado de 2026, bem acima dos 64,5% observados no Brasil como um todo, e os Estados Unidos caíram para a sexta posição entre os destinos, com apenas 6,8% do total, ante 16,5% na média nacional.

De acordo com o diretor Internacional do Sindicato das Indústrias de Móveis de Bento Gonçalves (Sindmóveis), Cleberton Ferri, o tarifaço é o fator imediato que explica a mudança. “Nenhum empresário tira o pé dos Estados Unidos por conta própria, a não ser que aconteça uma situação como essa”, acredita. Segundo ele, a rapidez da medida obrigou as indústrias a se movimentarem rapidamente em busca de alternativas de mercado — um movimento que, de acordo com Ferri, já é mais avançado no Rio Grande do Sul, mas tende a se espalhar pelo restante da indústria nacional.

Apesar do recuo, o diretor pondera que os Estados Unidos dificilmente deixarão de ser prioridade para o setor moveleiro brasileiro — afinal, seguem sendo o maior mercado consumidor do mundo. Segundo ele, as indústrias podem até ter tirado “o pé do acelerador”, mas não deixaram de olhar para lá: mantêm contato com compradores e seguem fazendo ofertas, na aposta de que a tarifa caia ou seja renegociada em algum momento. Para Ferri, trata-se de uma estratégia de longo prazo.



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