O Serasa Score é calculado a partir de seis fatores com pesos diferentes: pagamentos (29%), relacionamento com o mercado de crédito (24%), dívidas e negativações (21%), consultas ao CPF (12%), dados cadastrais (8%) e contratos ativos (6%). Cada um desses fatores considera comportamentos e dados específicos — e entender exatamente o que pesa mais ajuda a saber onde focar para melhorar a pontuação. Veja o que compõe cada fator e alguns mitos comuns sobre o cálculo.

Pagamentos (29% do peso) — o fator mais importante

Esse é o fator de maior peso, e vem principalmente do histórico registrado no Cadastro Positivo: contas de cartão de crédito, financiamentos e outros compromissos pagos dentro do prazo. Quanto mais consistente for o histórico de pagamentos em dia, melhor esse componente do score. Um detalhe importante: dívidas ou negativações com mais de 5 anos deixam de afetar o score, por limite de tempo previsto em lei para o uso desse tipo de dado.

Relacionamento com o mercado (24%)

Mede o tempo e a consistência do seu histórico de relacionamento com o crédito — ou seja, há quanto tempo você mantém relações ativas com instituições financeiras, não apenas se você tem conta em banco. Quanto mais longo e estável esse histórico, mais essa parte do score tende a contribuir positivamente.

Dívidas e negativações (21%)

Considera não só se existe uma negativação ativa em seu nome, mas também há quanto tempo ela ocorreu ou foi quitada — uma dívida antiga já paga pesa menos do que uma pendência recente em aberto.

Consultas ao CPF (12%) — o mito mais comum

Aqui está um dos maiores mal-entendidos sobre o score: consultar o próprio CPF não prejudica a pontuação. O próprio Serasa confirma: “a resposta é não” quando perguntado se checar seu score reduz a nota. O que de fato entra nesse cálculo é quantas vezes empresas consultam seu CPF para conceder crédito — e mesmo assim, o que pesa negativamente é fazer muitos pedidos de crédito simultâneos em curto espaço de tempo, não a quantidade de vezes que você mesmo confere sua situação.

Dados cadastrais (8%)

Inclui informações básicas como nome, CPF, endereço, idade e participação em empresas. Não há confirmação oficial de que dados como telefone ou e-mail verificados entrem diretamente nesse cálculo — o que está confirmado é que as informações cadastrais básicas e atualizadas fazem parte da avaliação.

Contratos ativos (6%)

Considera a quantidade e a duração dos contratos financeiros que você mantém em aberto no momento — financiamentos, empréstimos e outros compromissos ativos.

As faixas de pontuação: 0 a 1.000

O Serasa Score usa quatro faixas oficiais: Baixo (0 a 300), Regular (301 a 500), Bom (501 a 700) e Excelente (701 a 1.000) — não existe uma faixa oficial chamada “muito bom”, apesar de esse termo aparecer informalmente em alguns sites. Vale lembrar que cada birô de crédito usa sua própria metodologia: o SPC Brasil, por exemplo, trabalha com apenas três faixas na mesma escala de 0 a 1.000 (Baixo, Bom e Excelente, com pontos de corte diferentes dos da Serasa), e a Quod usa uma escala que começa em 300, não em zero. Por isso é normal — e não um erro — que o mesmo CPF tenha notas diferentes em birôs distintos.

De onde vêm os dados: o Cadastro Positivo

Desde 2019, com a Lei Complementar 166/2019, a inclusão no Cadastro Positivo passou a ser automática — antes, era preciso autorizar; agora, quem não quiser participar precisa pedir a exclusão ativamente. Essa mudança fez o número de pessoas cadastradas saltar de cerca de 5,5 milhões para mais de 100 milhões em poucos anos, segundo análise do próprio Banco Central, que também constatou que boa parte dos consumidores passou a ter acesso a taxas de juros menores depois de entrar no cadastro, por ficarem com um histórico de pagamento mais completo e visível para os credores.

Mitos comuns sobre o cálculo do score

  • “Consultar meu próprio CPF derruba meu score” — falso, como explicado acima;
  • “Minha renda entra direto no cálculo do score” — falso: o score mede probabilidade de pagamento com base em comportamento, não conhece sua renda; quem avalia renda é a análise de crédito feita separadamente pelo banco na hora de decidir um empréstimo específico;
  • “Colocar o CPF na nota fiscal ajuda o score” — falso: isso pode ter utilidade para questões fiscais, mas não tem relação com o cálculo do score;
  • “Não ter nenhum histórico de crédito é neutro para o score” — na prática, não ter dados suficientes no Cadastro Positivo tende a resultar em pontuação mais baixa, porque falta base para avaliar o risco, e não porque a ausência de dívida seja tratada como algo negativo.

Se seu score está zerado ou muito baixo, veja também o que fazer quando o score de crédito está zerado para entender os próximos passos.

Conclusão

O score de crédito não é uma “caixa-preta” — ele é resultado de seis fatores com pesos definidos, sendo o histórico de pagamentos o mais importante deles, seguido pelo tempo de relacionamento com o crédito. Entender esses pesos ajuda a priorizar o que realmente move a pontuação: manter pagamentos em dia pesa mais do que qualquer outra ação isolada. Para acompanhar seu score e os dados que compõem essa avaliação, você pode contar com a plataforma da UP Consultas.

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