10/06/2026

Negociação do Mercosul com os 27 países europeus tem o potencial de incrementar as exportações brasileiras para a UE em cerca de US$ 7 bilhões

Três semanas depois de ter a assinatura em definitivo do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) adiada, os dois continentes puderam testemunhar nesta sexta-feira (9) um feito histórico onde as negociações já somam quase três décadas. O acordo, que começou a ser debatido em 1999, tem o potencial de criar um mercado comum cujos PIBs somados chegariam a US$ 22 trilhões. Petróleo e derivados são os produtos mais exportados pelo Mercosul à União Europeia, que por sua vez vende principalmente produtos medicinais e farmacêuticos para o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou há pouco a aprovação, por ampla maioria dos países que integram o bloco, do acordo de livre comércio com o Mercosul. “A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica”, escreveu Ursula em sua conta na rede social X, o antigo Twitter. “A Europa está enviando um sinal forte. Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, acrescentou a presidente da comissão responsável por elaborar propostas de leis para todo o bloco e por executar as decisões do Parlamento e do Conselho europeu. Com o resultado confirmado, a presidente da Comissão Europeia poderá viajar para o Paraguai, já na próxima semana, para ratificar o acordo com os países-membros do Mercosul. O Paraguai assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa pro-tempore do bloco.

Repercussão
Responsável por promover os produtos e serviços brasileiros no exterior, a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) afirma que o acordo tem o potencial de incrementar as exportações brasileiras para a UE em cerca de US$ 7 bilhões. “Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, comentou o presidente da agência, Jorge Viana, em nota. Ele também destacou a qualidade da pauta exportadora brasileira com o bloco europeu: “Mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento”, disse.

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil. Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).

Com ABR



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